Um casal pelo mundo
O Vaticano é um lugar de silêncio, respeito e contemplação. Milhares de pessoas caminham por suas ruas estreitas em busca de fé, história e emoção. Eu também. Mas, como quase sempre acontece comigo, a viagem reservava uma surpresa.
Enquanto caminhava, ouvi o som de uma sanfona. Um rapaz tocava e cantava animadamente. Aproximei-me e, sem pensar duas vezes, arrisquei meu castelhano, daqueles de fazer qualquer professor pedir aposentadoria.
— Ay, ay, ay, ay... canta y no llores...
Bastaram alguns versos para um grupo de mexicanos que passava por ali reconhecer a canção. Pararam, sorriram e entraram no coro. Por alguns minutos, brasileiros e mexicanos transformaram um cantinho do Vaticano numa festa improvisada.
Atrás de nós, um guarda suíço observava tudo com a seriedade exigida pelo uniforme. Parecia uma estátua. Mas juro que, por um instante, tive a impressão de que seus olhos sorriam diante daquela cena inesperada.
Foi mais uma daquelas lembranças que nenhuma fotografia consegue contar por inteiro.
Viajar é isso. Os monumentos permanecem os mesmos durante séculos. As histórias, não. Elas acontecem apenas uma vez, e tive a felicidade de viver aquela.

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