Papo Retrô - Revivendo velhas colunas
No sábado, em Miracema, esperava pelo meu dentista favorito, Celestino Salles, degustando um pastel e um suco de laranja na Kiskina. Enquanto aguradava proseava com o Roney e Venilton, ambos alvinegros e felizes com a conquista do Estadual pelo Botafogo. A prosa variou entre a Exposição, que começa na quinta-feira, o sucesso do Hotel Varandas, totalmente lotado durante o evento, e o movimento da cidade, que aumenta quase em cem por duzentos nestes dias de festa.
Eis que do nada, naquele repente, um eufórico torcedor começa a falar mais alto, talvez tentando chamar a atenção ou provocar alguém no recinto: “Vocês verão na quinta-feira, a borda da piscina vai ficar lotada e vão encher o tanque de lágrimas”. Não sei o que seria, mas pelo visto pode ser uma provocação a torcida do Flamengo, que enfrenta o Corinthians nesta quarta-feira pela Libertadores.
Não comentei com os dois amigos, que perceberam minha indiferença e continuaram a prosa sem o mínimo de atenção ao cidadão, que tem todo o direito de beber a sua cerveja e, de vez em quando, desabafar com palavras e citações, desde que não haja ofensas ou agressões verbais.
O interessante é que um flamenguista, ao lado, também não se manifestou quando o torcedor estava em pé, no balcão da Kiskina, mas quando o cara foi para a mesa o rubro-negro quis saber qual o time do moço:
- Qual o seu time?
- Sou Vasco da Gama desde criancinha.
- O que pretende com o que está dizendo, quem vai chorar na quinta-feira?
- A torcida do Flamengo.
- Qual o motivo do choro?
- Vai perder para o Corinthians.
- O que venceu o Vasco este ano ou no ano passado?
- Você tá me sacaneando?
- Não, estou querendo saber porque você vai torcer pelo Corinthians?
- Razões pessoais, sou vice todo ano e a três o Botafogo não deixa eu chegar lá e a quatro ou cinco não ganhamos nada, o meu negócio é secar o Flamengo, a única coisa que me dá alegria no futebol.
Fechei as portas do ouvido e entrei rápido para continuar o dedo de prosa com Roney e Venilton, afinal não é todo dia que a gente ouve um desabafo destes.
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